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 Editorial
17/08/2008 14:35:37

Dentuça, sim. Baixinha e gorducha, nunca mais  

 GIBI / Maurício de Sousa “envelhece” a Turma da Mônica e aposta no traço do mangá

DJota Carvalho*
ESPECIAL PARA O CADERNO C

Desde que foi criada, em 1963, Mônica sempre teve 6 ou (mais recentemente) 7 anos de idade. A partir de agora, porém, a eterna dentucinha tem 16 anos, e não é mais baixinha nem gorducha. Pelo contrário, em Turma da Mônica Jovem, nova linha de gibis com traço mangá que o próprio Maurício de Sousa lançou ontem na Bienal do Livro em São Paulo e que já chegou nas bancas de Campinas, Mônica é uma adolescente magrinha e com corpo bem delineado.

E a coisa não pára por aí. Aliás, antes de continuar a ler este parágrafo, é bom avisar que ele é um spoiler (traz informações que podem estragar a surpresa de ler o primeiro número da revista e, portanto, caso você não queira estragar o mistério, não continue.) Cascão agora toma banho, ainda que não goste muito. Cebolinha fez fonoaudiologia e pronuncia corretamente os erres, apesar de dar umas derrapadas de vez em quando. E Magali continua comendo muito, mas sempre dando atenção à qualidade nutricional do que ingere.

Quer mais? Com a palavra o próprio Maurício de Sousa: “Nas histórias da Turma Jovem serão abordadas questões típicas do mundo adolescente, que incluem namoro, sexo e drogas”. Uau. Por que tanta mudança? Para conquistar um público jovem que cresceu lendo histórias da turminha, mas que hoje devora todo e qualquer mangá — o quadrinho japonês — que chega às bancas brasileiras.

Mas quem gosta da Turma da Mônica original não deve se desesperar: Turma da Mônica Jovem é apenas um gibi da linha desenvolvida por Maurício, ou seja, as revistinhas “normais”, com a turminha criança, continuam circulando normalmente. Cauteloso, Maurício avisa que lançará alguns números da Jovem como teste de mercado e, caso o sucesso esperado seja alcançado, a revista será mantida, mas sempre como alternativa, ou seja, as HQs do mangá devem ser vista como se ocorressem em um “universo paralelo”, no qual a turminha cresceu.

Humor sexual

Maurício de Sousa tinha a intenção de explorar o mundo dos mangás há muito tempo. O pai da turma da Mônica é fã e amigo pessoal do falecido Osamu Tezuka — o chamado “Walt Disney japonês” (criador de clássicos como A Princesa e o Cavaleiro) — e nunca escondeu ter sido influenciado por ele. Aliás, impossível esconder, já que o traço normal da turminha já se assemelha bastante à principal característica do quadrinho japonês: os olhos grandes. Não é à toa que o dinossaurinho Horácio é sucesso no Japão.

A surpresa ficou por conta de transformar o núcleo central da turma – Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali — em adolescente, bem como a turminha mais velha — Franjinha, Titi, Jeremias, Anjinho (ou melhor, “Céuboy”) — em jovens adultos, na casa dos 20 anos. Surpresa calculada, afinal a idéia é atingir o público juvenil e nas histórias regulares da turma Maurício já havia feito HQs nas quais as crianças cresciam em ocasiões especiais, sempre com grande sucesso de público.

O traço de Mônica Jovem pouco muda além do crescimento dos personagens em si. Mas adquire a tradicional característica visual dos mangás, na qual em determinados momentos da HQ os personagens são desenhados com traço infantilizado, para demonstrar raiva ou vergonha, por exemplo.

Já os argumentos mudam bastante, até porque Maurício incorpora os mangás de fantasia. Logo no primeiro número, por exemplo, há uma história bem amalucada na qual os pais dos personagens se revelam guardiões de um antigo segredo japonês e os quatro personagens principais embarcam rumo às “quatro dimensões mágicas”.

E Maurício já incorporou neste gibi outra característica peculiar deste tipo de mangá, o humor sexual. Explica-se: as HQs japonesas fazem piadinhas/brincadeiras que envolvem sexo, de maneira não erótica, apenas engraçada. Em Dragon Ball, por exemplo, é conhecidíssima a cena em que Yamcha – e os leitores – vê os seios de Bulma e fica paralisado de medo. Ou aquela em que Kulilim causa um sangramento nasal em Mestre Kame mostrando os seios da mesma Bulma para “pintar” de vermelho um lutador invisível.

Já no primeiro número da Turma Jovem há duas cenas de humor “picante” entre Mônica e Cebolinha (em uma delas, Mônica aperta a cabeça do rapaz entre seus seios) e um duplo sentido sobre a demora do Cascão no banheiro, que envolve uma justificativa sobre gel que encontra paralelo com o filme Quem Vai Ficar com Mary. Pois é, eles cresceram mesmo.

Turma da Mônica Jovem já está nas bancas, em formato 16 x 21 cm, com 128 páginas e precinho camarada de R$ 5,90. A revista tem capa colorida e páginas internas em branco e preto, exatamente como os mangás tradicionais, mas é lida da maneira ocidental e não “de trás pra frente” como as HQs orientais. Começa agora uma nova era para a turminha mais querida do Brasil. E, em breve, do Japão.

SAIBA MAIS - Como ficaram os personagens da turma

MÔNICA


Continua dentucinha, mas agora é magra e esbelta. Tem a mesma força de sempre, mas só usa o coelhinho muito de vez em quando. Vive acompanhada do laptop no qual escreve seu diário. Sim, ela tem uma quedinha pelo Cebolinha. E ele, por ela.

CEBOLINHA

O cabelo cresceu (um pouco), fez fonoaudiologia e não fala mais “elado”. Superligado em tecnologias, adora fazer tudo ao mesmo tempo e não quer mais ser o dono da rua. Agora quer ser o dono do mundo.

CASCÃO

Agora toma banho, ainda que não goste. Usa penteado moicano e brinco na orelha, adora esportes radicais. Defende a reciclagem de lixo, menos em seu próprio quarto, onde continua a ser um tremendo bagunceiro e colecionador de bugigangas.

MAGALI

Ainda come muito, mas com muito critério para não maltratar o corpo. Sensível, super-amiga (de gente e de gatos), está apaixonada pelo professor de ciências.

MINGAU

Gato da Magali casou com uma gata chamada Aveia e encheu a casa de gatinhos, pra desespero do alérgico pai da garota.

MARINA

Está lindíssima, todos os garotos babam por ela.

FRANJA (FRANJINHA)

Trabalha em um museu de história natural, continua o gênio de sempre, mas com um ar de galãzinho que remete a Freddy, do Scooby Doo.

CÉUBOY (ANJINHO)

Aventureiro, protetor da terra e com todo jeitão de um certo X-Man...

O LOUCO

Virou professor, acredite se quiser, com seu verdadeiro e pouco conhecido nome: Licurgo.

CAPITÃO FEIO

Virou vilão estilo japonês, com rabinho e roupa de mafioso. Agora quer ser chamado de “Poeira Negra”

 

Veículo: Correio Popular - Campinas
Publicado em: 17/08/2008 - 14:35




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