Professores e alunos receberão informações sobre física de partículas.
Conteúdo dado no ensino médio está defasado em relação à física atual.
Iris Russo
Do G1, em São Paulo
Um grupo de pesquisadores espera contribuir para que o ensino de física nas escolas do país avance cerca de cem anos e chegue até o mundo subatômico. O projeto didático "Estrutura elementar da matéria: um cartaz em cada escola" vai divulgar os principais conceitos da física do século XXI que hoje não são contemplados no ensino médio.
"Existe uma defasagem de 70 a cem anos entre o que é dado no ensino médio e a física atual", diz Sérgio Novaes, coordenador do projeto do Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace) e professor de física da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Novaes afirma que a visão que os estudantes têm da estrutura íntima da matéria está praticamente estagnada no século XIX, com a tabela periódica de Mendeleiev, e que o século XX testemunhou um enorme avanço no conhecimento da estrutura, de seus constituintes e das interações fundamentais da natureza.
Para levar a física atual aos estudantes, cartazes de 93 cm X 63 cm e panfletos com explicações sobre quarks, léptons e as chamadas partículas mediadoras já começaram a ser enviados pelos Correios para todas as 24.131 escolas de ensino médio públicas e particulares do Brasil.
'O nano do nano'
O site do projeto explica que experiências realizadas nos aceleradores de partículas foram capazes de ampliar e aprofundar a visão sobre o interior da matéria e, hoje, sabe-se que os prótons e nêutrons, que compõem o núcleo atômico, são também partículas compostas e possuem uma estrutura interna formada por quarks (constituintes ainda mais fundamentais). "Se vivessemos no mundo nano, eu estaria explorando o nano do nano", sintetiza Novaes.
Um dos objetivos do projeto do Sprace, que conta com apoio do CNPq e da Universidade Federal do ABC (UFABC), é aguçar a curiosidade científica dos estudantes e despertar possíveis vocações para o estudo das ciências. Além da distribuiçâo do material impresso, o grupo mantém um fórum de discussão em seu site moderado por profissionais da área de física de partículas que também podem tirar dúvidas sobre o conteúdo dos cartazes.
O projeto não é inédito e, segundo Novaes, já foi realizado com sucesso nos EUA, Canadá e França. "Nós vamos aguardar a demanda para saber os próximos passos. Se der certo, pessoas de outras áreas da física também podem se mobilizar".
Modernização do ensino
O grupo não está sozinho na modernização do ensino da física e, segundo, Nelson Marcos Dias Garcia, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e secretário de ensino da Sociedade Brasileira de Física (SBF), o assunto tem sido muito discutido. “A legislação diz que tem que se colocar na sala de aula do ensino médio a física contemporânea que é decorrente das pesquisas mais recentes. Os livros didáticos já estão propondo um avanço, mas na sala de aula isto está demorando a acontecer”, avalia.